Como atualizar iluminação convencional para LED e selecionar bons fornecedores

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Uma análise detalhada do presente e do futuro da iluminação à LED

Pude acompanhar ao longo de quase uma década as principais preocupações de inúmeros clientes do ramo industrial no intuito de desenvolver soluções para seus negócios.
Uma das preocupações mais frequentes atualmente neste ramo é referente ao tema energia e a busca em reduzir seu consumo.

Esta informação não surpreende, haja visto que o setor industrial representa 33,9% do consumo energético de todo o Brasil e que segundo a ABESCO é o setor onde há maior desperdício deste bem. É um insumo básico e fator de custo que quando mal administrado pode representar até 60% do preço final da produção.


Com o significativo aumento do custo da energia elétrica no Brasil em 2015, muitas oportunidades de implantação de novas tecnologias tornaram-se mais viáveis. Consequentemente, isto significou o aumento da utilização da tecnologia LED como fonte de luz e uma maior integração desta com sistemas de controle, como automação em iluminação interna e telegestão em iluminação pública.

Soma-se a esta questão econômica alguns aspectos técnicos que influenciam no crescimento exponencial do mercado de iluminação LED, como por exemplo: Aumento da vida útil e eficiência, ausência de metais pesados, alto índice de reprodução de cores, acendimento instantâneo, uniformidade, dentre outros.

O MERCADO LED E SEUS CUIDADOS

Apesar do aumento de demandas e ofertas de produtos LED, este mercado ainda é tratado como uma “commodity” pela maioria das empresas. Muitas especificações e soluções são guiadas somente pelo menor custo, sem uma avaliação criteriosa e madura da qualidade dos produtos.

Ainda existe no Brasil uma escassez de normas claras e específicas para o portfólio LED como um todo, além da falta de informação e conhecimento técnico aprofundado por muitos fabricantes, canais e clientes.

Como consequência, temos hoje a coexistência de empresas fornecedoras sérias e produtos de excelente qualidade disputando o mesmo espaço com empresas de qualidades questionáveis e pouca experiência no assunto.

Dito isso, pode surgir o questionamento: Então qual a saída para se implementar um novo sistema ou realizar uma atualização com boa performance e que seja duradoura?

CUIDADOS E PARAMETROS PARA ESPECIFICAÇÃO DE SOLUÇÕES LED

A iluminação LED é uma tecnologia que difere bastante da iluminação convencional que estamos acostumados, que apenas nos preocupávamos com a potência (watt) dos produtos, associando potência com resultado visual de luz, sem preocupação com consumo de energia.

Com o LED, devido sua eficiência energética e grande flexibilidade, precisamos mudar nossa maneira de comprar iluminação. Precisamos nos preocupar com a aplicação, qual a área que será iluminada, potência correspondente, durabilidade, economia, procedência do produto, a garantia e o principal: Qual a quantidade de fluxo luminosa (lumen/lm). Esta é basicamente a quantidade de luz por watt entregue pelo produto, ou seja, a quantidade de luz que se está “comprando”.

Ao se adquirir tecnologias LED, deve-se tomar muito cuidado com fornecedores que prometem conversões diretas, sem analises prévias. Os LEDs são focais por natureza e a maioria das luminárias convencionais são omnidirecionais (emitem luz em todas as direções). Para suprimir este problema, podem ser requeridos estudos luminotécnicos aos fornecedores onde, através de simulações em softwares dedicados e especialistas, pode-se indicar a melhor solução e sua disposição.

NORMAS E TESTES

Em 13 de dezembro de 2015 foram publicadas oficialmente as portarias que regulamentam as lâmpadas de LED no Brasil. Estabeleceu-se que a partir de 9 meses contados da data de publicação, todas as lâmpadas LED com dispositivo integrado à base deverão ser fabricadas e importadas em conformidade aos Requisitos Técnicos da Qualidade e deverão estar registradas no Inmetro. Este foi apenas o primeiro grande passo, onde certamente irá selecionar os produtos que estão no mercado.

Entretanto, a maior concentração do consumo energético industrial e a maior oportunidade de retorno de investimento não estão nas lâmpadas, mas sim na iluminação de vias, projetores e refletores de alta potência, sendo vapor de sódio ou metálicos em sua maioria.

Infelizmente não existe no país uma norma especifica para estes produtos. Desta forma, devemos partir para outros parâmetros.

LM-80 E LM-79

Até pouco tempo atrás, os clientes perguntavam aos fornecedores: Qual a vida da sua lâmpada (ou luminária) LED? E o fornecedor simplesmente respondia sem nenhuma dúvida: Minha lâmpada (luminária) tem 50.000 horas.

Hoje, um cliente mais esclarecido pergunta: Mas essa vida é baseada em que parâmetros? E começa a pedir uma série de testes... Seu LED tem LM80? Sua lâmpada tem LM79? Quem testou seus produtos?

Os fornecedores mais preparados têm as respostas na ponta da língua e já possuem uma lista de relatórios e informações preparadas para comprovar tais informações.

Uma confusão muito comum é achar que o fato de um LED ou lâmpada ter a LM-80 e/ou a LM-79 já a credencia como sendo um bom produto. Outros acham que a LM-80 e LM-79 são normas. 

Na verdade estes são procedimentos de ensaios, publicados pela IESNA (Illuminating Engineering Society North America). São métodos para verificação da manutenção do fluxo luminoso de fontes de LED e para medições elétricas e fotométricas respectivamente.

A LM-80-08 é um procedimento de teste que visa à obtenção de informações sobre manutenção de fluxo luminoso e alteração da cromaticidade com o tempo através de medições em pelo menos 6000 horas de vida, em intervalos de 1000 horas. 

Porém o fato de um LED ter um relatório de ensaio segundo a LM-80 não implica que o produto final seja bom. O que deve ser analisado é se o resultado de depreciação em conjunto com a temperatura em que este LED estará operando dentro de uma lâmpada ou luminária será adequada ou não. A partir daí se estabelece a vida do produto, através de extrapolações conforme a publicação TM-21-11.

A LM-79-08 é um procedimento de teste para determinação de características de desempenho de equipamentos de LED integrados, aplicável à lâmpada ou luminária. Não é aplicável aos módulos de LED ou ao componente LED. Este teste fornece o desempenho sob condições de operação especificadas em um momento definido na vida do produto, normalmente no início da operação. Ele não aborda classificações de vida, ou desempenho ao longo do tempo.

Os dados emitidos pelos procedimentos relatados na LM-79 permitem comparações objetivas entre desempenho de produtos, e é necessária para programas voluntários de etiquetagem americanos, tais como o LED Lighting Facts e ENERGY STAR® (Similar ao INMETRO). 

Ter um relatório segundo a LM80 ou a LM79 já é um primeiro passo e deixa de fora da análise muitos fabricantes de baixa qualidade. Porém não é um fator determinante para aprovação ou reprovação de um produto. O que importa é a interpretação dos dados fornecidos por estes relatórios e consequente análise na aplicação desejada.

Alguns fabricantes, nacionais inclusive, não investem nestes testes e divulgam seus produtos e materiais técnicos baseados somente em testes feitos em laboratórios próprios. Além do risco da falta de imparcialidade, esta autovalidação é um risco imenso, visto que muitas das vezes os equipamentos e procedimentos utilizados não se equiparam aos realizados nos laboratórios internacionais creditados para tal na íntegra.

Concluo dizendo: A tecnologia LED veio e é certamente um caminho sem volta no ramo da iluminação. Quanto antes nos adaptarmos melhor, pois não estamos apenas falando de economia de energia, mas de melhores condições de trabalho, ergonomia e conforto. 

Apesar da ausência ou parcial adoção de normas nacionais especificas para o LED, não devemos nos desanimar ou postergar nossas iniciativas. Isso com o devido critério nas escolhas e busca por assessoria com empresas e profissionais especialistas.

 

author diego trillo

Autor: : Diego Trillo, Engenheiro desenvolvedor de novos negócios, 01 de agosto de 2017.

Referências:Indústria é o setor com o maior desperdício de energia no Brasil

Tese de doutorado por DE MOURA, Mariangela. Univ. Federal Fluminense

Palavras-chave: Iluminação, LED, normas, LM79, LM80M, Industria.