Os três fundamentos essenciais dos sistemas de proteção contra incêndios

Artigo 4

Detecção e alarme contra incêndio, o “coração” das construções - Um alerta para a importância do tema

O mercado brasileiro tem enfrentado uma de suas piores crises nos últimos anos e consequentemente muitos setores têm apresentado forte retração. Independentemente disso, ainda existem investimentos, obras e expansões, mesmo que moderadas (tomando a base histórica).

Neste novo momento, existem oportunidades e riscos. Oportunidades no sentido de rever práticas e aperfeiçoar recursos. Com relação aos riscos, temos identificado um distanciamento de soluções adequadas e de qualidade em detrimento apenas do quesito custo.

Dentre os vários dispositivos e partes que compõem uma determinada construção, um se destaca por estar intrinsecamente relacionado não somente a proteção de ativos e patrimônio, mas de vidas também – Os sistemas de detecção e alarme de incêndio (SDAI).

Infelizmente o tema nem sempre é tratado com a devida atenção e prioridade. Muitas construtoras se atentam ou dão foco a este escopo somente no final das obras. A verba neste momento está restrita, o que resulta muitas das vezes na adoção de fabricantes não certificados ou com procedência e qualidade questionável.

Mas então, como saber se um sistema de SDAI é adequado e de qualidade?

Todo sistema de SDAI deve ser: Rápido, confiável e eficaz.

O SDAI tem como finalidade detectar os primeiros sinais de um incêndio fazendo com que o mesmo possa ser combatido de forma imediata e evitar que esse princípio de incêndio tome proporções ainda maiores causando danos e perdas irrecuperáveis além de preservar o patrimônio, meio ambiente e a vida acima de tudo.

O sistema é composto por uma série de recursos, como: detectores de fumaça, sprinklers, acionadores manuais, alarme de evacuação, sinalizadores audiovisuais, hidrantes, extintores de incêndio, entre outros.

No quesito RAPIDEZ, pressupõem-se uma sinalização e/ou atuação imediata, no momento exato da ocorrência de fumaça, chama, elevação de temperatura, etc. Sistemas relacionados a segurança não devem admitir atrasos, uma vez que segundos a mais de espera podem significar a perda de uma vida.

No quesito CONFIÁVEL, pressupõe-se que havendo uma sinalização e/ ou atuação, ela seja de fato relacionada a uma ocorrência de incêndio e não um falso alerta.

Um bom exemplo é a famosa fábula Pedro e o Lobo, onde o protagonista Pedro é um pastor de ovelhas que pregava várias peças em seus amigos anunciando erroneamente a presença de um lobo. Após sucessivas brincadeiras, o lobo realmente aparece e mesmo após os gritos de Pedro ninguém dá credibilidade e se negam a ajudá-lo acreditando ser mais uma de suas pegadinhas.

Assim também funcionam os sistemas de SDAI, se eles geram falsos alarmes constantemente, a tendência é que sejam silenciados, jumpeados e, mesmo se acionados, não cumprem seu papel de alertar e resultar em ações de segurança.

No quesito EFICAZ, pressupõe-se que, havendo a ocorrência de um incêndio, o sistema tenha sido projetado e implementado de forma a alertar todas as pessoas envolvidas na área e imediações, brigada de emergência, sinalizar rotas de fuga, além de orientar e indicar procedimentos de forma clara e objetiva.

Quais os principais órgãos e normas que podem nos assegurar estes quesitos?

No mercado mundial de incêndio, existem duas certificações de alto reconhecimento internacional que são a UL – Underwrites Laboratories e a FM – Factory Mutual Global.

UL
Sediada nos EUA há mais de 110 anos, a UL é uma organização independente, especializada no desenvolvimento e aplicação de Normas Técnicas relativas à qualidade de equipamentos de segurança. A UL possui cerca de 60 laboratórios, onde já foram testados mais de 100.000 produtos e desenvolveu aproximadamente 900 normas técnicas. Todo equipamento que possui a marca “UL LISTED” faz parte de uma lista de produtos, fabricados sob as mais rigorosas normas técnicas de qualidade. A certificação UL é voluntária e sua manutenção é altamente dispendiosa, fazendo com que somente empresas de alto nível consigam conquistá-la e mantê-la em seus produtos.

FM
É uma das maiores organizações mundiais de Gerenciamento de Riscos e de Resseguros Industriais e Comerciais, que existe há quase dois séculos no Estados Unidos. O selo “FM APPROVED” só é concedido à equipamentos cujo desempenho é exaustivamente testado, ou seja, o que se avalia é a qualidade de sua eficácia. Também é uma certificação voluntária que requer altos investimentos, por parte dos fabricantes, para obtenção e manutenção.

NBR 17240
As normas técnicas são criadas por especialistas do setor consumidor, neutro e produtor, com o objetivo de proteger o consumidor final. A norma brasileira NBR 17240 especifica requisitos e recomendações para projeto, instalação, comissionamento e manutenção de sistemas manuais e automáticos de detecção e alarme de incêndio.

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Dizer que um equipamento é importado, certificado e que atenda as normas não é garantir que ele será 100% RAPIDO, CONFIÁVEL E EFICAZ. É necessário que os sistemas sejam projetados, instalados e comissionados por empresas certificadas a fim de atender todos os pré-requisitos indicados pelos fabricantes.

Como conclusão, relembro o provérbio popular: Nenhuma corrente pode ser mais forte que seu elo mais fraco. Com isso quero dizer que, de nada adianta alicerces fortes, altos investimento em automação, acabamentos rebuscados, conforto, design e luxo se estiverem dependentes de um sistema de SDAI escasso, instável ou ineficiente.

author ronald

Autor: : Ronald Lima, consultor técnico e certificado Notifier, 29 de Agosto de 2017.

Referências: A Importância da Manutenção de sistemas SDAI

 O que é um SDAI, RW Engenharia

Palavras-chave: Detecção, alarme, NBR17240, UL, FM, incêndio, SDAI